quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ONDE EU MORAVA.

Onde Eu Morava.
        
No terreiro uma paiada
Onde o gado ruminava,
A palma que engolia;
E onde papai descansava,
Enquanto mamãe tirava
A palha que não servia.

                        Depois de limpar o arroz
                        Ia mamãe pro fogão,
                        Preparar nosso comer;
                        Enquanto isso lá fora,
                        Vovô nos contava histórias
                        E as regras do bom viver.

A lua cheia brilhando
Banhando no ribeirão,
Sem medo de se mostrar
Prateava todo o sertão,
A noite virava dia
No meu pequeno rincão

De vez em quando se ouvia
                        Na escuridão do cerrado,
O piar de uma coruja;
                       Com seu lamento rasgado
                       Mãe d’água no rio seco,
                       Pranteava o seu reinado.

Hoje não resta mais nada
Nem meu cachorro estradeiro
Nem coruja, nem mãe d’água;
E o carro de boi cargueiro,
Carunchou e apodreceu
Embaixo do umbuzeiro.

No lado esquerdo da estrada
Na direção do cerrado,
Vejo o nosso cemitério
Pelos maus tratos tombado,
E o velame tomando conta
Desse espaço do passado.

                       A grande cruz de pau-d’arco
                       Ali na beira da estrada,
                       Não sei como está de pé;
                       Não protege, não faz nada,
                       Mas serve de referencia
                       Pro viageiro em jornada.

                       São só restos, nada mais                             
                       Dos que aqui agora estão;
                       Papai, mamãe, e vovô
                       Fazem parte desse chão,
                       Estão em minha memória
                       Guardados no coração.

E as vozes do passado
Fazem meu pranto rolar,
Ouço o piar da coruja
E mãe-d’água reclamar,
Sinto-me como um forasteiro
....................É hora de retirar.


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